Por Claudio Lima

Hoje, ao olhar para trás, vejo o digital menos como uma ruptura e mais como um caminho de amadurecimento do próprio mercado editorial. Ele não resolve todos os problemas, mas amplia possibilidades.
Ao longo dos últimos anos, tive a oportunidade de acompanhar de perto uma das transformações mais significativas do mercado editorial: a consolidação do digital como parte estruturante do negócio. Quando comecei a lidar com e-books de forma mais sistemática, o digital ainda era visto como um complemento, quase um experimento paralelo ao livro impresso. Hoje, ele se impõe como uma dimensão inevitável do planejamento editorial.
Vale ressaltar que minha experiência com o digital foi construída muito mais na prática do que na teoria, e a relação com a Bookwire teve papel central nesse processo. Vieram os primeiros projetos estruturados de conversão de catálogo, as discussões mais maduras sobre precificação, a adaptação de contratos e o entendimento progressivo das plataformas. Aos poucos, ficou evidente que o digital não transformava apenas o formato do livro, mas a própria lógica de circulação, descoberta e consumo do conteúdo.
Com o tempo, aprendi que a adoção do digital exige mais do que decisões comerciais. Ela pede uma reorganização interna. Processos de produção precisam conversar entre si, arquivos devem seguir padrões claros e cronogramas precisam ser pensados de forma integrada. Em editoras de pequeno e médio porte, essa organização é ainda mais decisiva, porque cada erro custa tempo, energia e recursos escassos. O digital, nesse sentido, é método antes de ser tecnologia.
Outro aprendizado importante foi compreender que o leitor não é fiel a um único formato. Ele transita entre e-book, impresso e audiobook de acordo com o momento, o contexto e a conveniência. Pensar o livro de forma multiformato não significa abandonar o impresso, mas ampliar sua vida útil e multiplicar seus pontos de contato com o público.
Hoje, ao olhar para trás, vejo o digital menos como uma ruptura e mais como um caminho de amadurecimento do próprio mercado editorial. Ele não resolve todos os problemas, mas amplia possibilidades. Para quem está disposto a repensar processos, integrar áreas e colocar o leitor no centro das decisões, o digital se revela uma ferramenta poderosa de sustentabilidade e relevância no longo prazo.
Foi com esse entendimento que cheguei à nVersos, trazendo a experiência acumulada dos últimos anos e a disposição para transformar aprendizados em método. A expectativa para este ano é estruturar processos mais integrados, pensar cada projeto desde a origem para múltiplos formatos e fortalecer uma relação mais direta com leitores e autores. O objetivo é construir crescimento com consistência, evitando improvisos e apostando em planejamento, clareza operacional e visão de longo prazo.
Claudio Lima é pai do Gabriel, avô da Clara e da Joana, gerente executivo da nVersos Editora e apaixonado por livros.