Por Raquel Menezes

O digital é, sabemos, uma possibilidade urgente e afetiva. Não apaga o cheiro do papel, mas abre mais portas para a formação de leitores.
Para nós, leitores, o cheiro do papel é muitas vezes o lugar do nosso prazer, aliado ao atrito das páginas e à marca de um dedo em uma dobra — memórias materializadas que o livro guarda dos nossos gestos. Parece que a maneira como tratamos cada livro reflete nossa relação com personagens, narrativas e enredos.
Isso é verdade, mas, se encararmos o objeto livro apenas como suporte e esquecermos que o essencial é o conteúdo, perdemos possibilidades. A cada dia, na Oficina, aprendemos a escutar outras formas de presença dos livros. Acreditamos, portanto, que a alma do livro não está apenas no suporte físico, mas na intenção de tocar, ensinar e transformar. É com esse cuidado que concebemos nosso e-book e nosso audiolivro: novas versões, extensões do ateliê de palavras e emoções que acolhem, orientam e aproximam.
O mercado do livro no Brasil vive tensões e possibilidades. Há uma riqueza imensa de vozes e saberes locais, mas também barreiras — preço, distribuição desigual, pouca visibilidade para editoras independentes e acesso reduzido em regiões remotas. O digital é, sabemos, uma possibilidade urgente e afetiva. Não apaga o cheiro do papel, mas abre mais portas para a formação de leitores.
Um livro digital e um audiolivro permitem que quem mora fora do grande circuito editorial, quem tem pouco tempo ou quem aprende melhor ouvindo tenha acesso às mesmas histórias, técnicas e memórias que cultivamos no ateliê.
Mais do que números, pensamos em encontros. O e-book que produzimos reúne textos, imagens e tutoriais com cuidado editorial. Do mesmo modo, percebemos o áudio como uma nova possibilidade cognitiva e sensorial para navegar por mundos de fantasia, aprendizado e narrativas diversas. O audiolivro oferece outra intimidade — uma conversa que acompanha o trabalho das mãos: ouvir enquanto treina, dirige, cuida da casa, atravessa a cidade ou apenas se acomoda num canto gostoso com um chá quente.
Convidamos você a atravessar essa ponte conosco: ler, ouvir, praticar e partilhar. Que o digital nos aproxime — de mãos, de vozes e de histórias — e que, juntos, possamos ampliar quem tem acesso ao mundo dos livros.
Raquel Menezes é formada em Letras pela UFRJ, onde cursou o Mestrado e o Doutorado em Literatura. É editora e sócia da Oficina Raquel, e ex-presidente da Liga Brasileira de Editores (Libre). Foi uma das ganhadoras do Prêmio Jovens Talentos da Indústria do Livro. Atualmente compõe a diretoria do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), sendo parte do Conselho Técnico Editorial.