Vamos falar de potencial comercial no formato digital sem romantizar e, principalmente, sem tratar o formato como coadjuvante?

Por Joyce Fabris

Depois de mais de uma década atuando no mercado editorial, acompanhando de perto o surgimento e a evolução do livro digital, tem sido cada vez mais difícil sustentar uma narrativa que ainda insiste em colocá-lo como “complemento” do impresso.

Essa ideia já ficou para trás. O digital não é apoio. Não é extensão. E definitivamente não é secundário. Ele é ou pelo menos deveria ser, uma frente comercial importante.

O problema é que, na prática, ainda não é assim que ele é tratado. Existe um padrão que se repete: o arquivo é convertido, sobe para as plataformas e, a partir daí, cria-se uma expectativa silenciosa de que ele vai performar sozinho. Como se a simples presença garantisse resultado. Pela minha experiência, não garante.

Atualmente faço a gestão do projeto digital do grupo CEDET, iniciamos um trabalho grande em 2025, com diversas obras convertidas (e trabalhadas) em e-books. E o resultado desse trabalho veio, e veio do tamanho da nossa expectativa.

Mas não é só converter, não é só disponibilizar o produto. É preciso um olhar estratégico e atento. O verdadeiro diferencial está na forma como esse catálogo é gerido comercialmente.

Preço não é detalhe.  Campanha não é oportunidade pontual. E trabalhar com metadados está longe de ser trivial. Quando o digital passa a ser tratado com lógica comercial e com acompanhamento frequente, testes, ajustes e tomada de decisão, o resultado aparece. E aparece rápido.

O digital permite testar, errar, corrigir e otimizar em um ritmo que o físico não permite. Ele oferece leitura de comportamento, elasticidade de preço e resposta a campanhas quase em tempo real. Ignorar isso não é uma escolha.

Ainda assim, vejo muitas editoras operando o digital quase no automático. Como se fosse uma obrigação técnica, e não uma oportunidade comercial. E aqui está, para mim, o ponto mais crítico: não é falta de ferramenta. Não é falta de plataforma. É falta de prioridade.

Quando o digital entra na pauta comercial de verdade, ele deixa de ser uma linha de receita marginal e passa a ocupar o espaço que já deveria ser dele há algum tempo.

A experiência com o CEDET, em parceria com a Bookwire, reforça exatamente isso: estrutura, dados e proximidade não são diferenciais abstratos, são o que viabiliza ação. E ação gera resultado.

Joyce Fabris é consultora comercial com mais de 15 anos de atuação no mercado editorial. Ao longo da carreira, participou da estratégia e desenvolvimento de projetos para diversas editoras. Atualmente, é responsável por frentes comerciais no Grupo CEDET, incluindo o projeto digital. Também atende clientes como Editora Gema e CNBB.

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